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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Três de Espadas

A Torre, Três de Espadas e Oito de Espadas, Rider Waite

Há três Espadas cravadas no meu peito enquanto eu escrevo isso.

Faz um tempo que já venho pensando coisas que não são reais, vendo coisas que não estão lá, sentindo coisas que não são sentimentos. Faz um tempo que saí de mim pra viver dentro de uma prisão rodeada por memórias que não são minhas.

Deixei de focar no que é meu pra focar no que já foi dos outros. Parei de andar no meu próprio caminho e só olhei para as pegadas deixadas por quem já partiu.

Tranquei-me na Torre mais desolada que pude achar, num reino esquecido por Deus e amaldiçoado pelo Ódio.

E numa noite escura e tempestuosa, o Raio destrói as paredes da Torre e me tira da minha falsa paz, ao mesmo tempo em que o Diabo arranca as Espadas do meu peito e me mostra que elas são feitas de nada mais, nada menos que a minha própria imaginação.

E o caminho parece sereno, mas sei que tenho que pisar com cuidado porque os galhos podem quebrar e acordar o Monstro que dorme, e eu já não tenho mais forças pra entoar canções de ninar.

Estou presa. Não mais na Torre, não mais acorrentada e vendada com 3 Espadas no peito. Mas ainda estou presa, pois o Monstro não pode acordar. Eu não tenho mais forças pra lutar.

Dizem que a única maneira de se libertar é encarar os seus demônios. Tornar-se o próprio Diabo e aí se tornar Anjo novamente.

Eu não sei, não sei, não quero saber. Me deixa não saber. Vou fazer um novo castelo. Com as pedras no caminho, vou fazer outro castelo. Não quero enfretar o Monstro. Não quero Viver.

Construo o castelo, cravo as 3 Espadas em mim mesma novamente, acorrento-me às paredes da Torre. E assim continuo, sobrevivendo das migalhas da minha própria existência.

Um comentário

  1. O jeito que você se descreve em palavras é incrível. Gosto muito do que você posta aqui. Espero que você esteja bem e que o medo não te impeça de fazer o que quer :)
    Um abraço.

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