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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

My mind tells me I can't get out of this

Não é surpresa se eu chegar aqui e disser que não estou sabendo lidar, não é mesmo?

Depois dos acontecimentos das últimas semanas, ainda tem alguns cacos de mim mesma no chão, ainda tem partes em construção, farpas e superfícies pontiagudas que é melhor manter distância.

Pra quem não sabe, fui assaltada a mão armada e, poucos dias depois, a Morte levou um amigo. Minha mãe constantemente parafraseia um médium cujo nome não me recordo dizendo que as dores sempre vem em grandes quantidades pra purificar a alma (ou algo assim) e, de certo modo, concordo com isso, mas admito não me sentir muito bem “purificada”.

O que essas dores me trouxeram, na verdade, foi um medo irracional de sair de casa, uma ansiedade de faltar o ar ao voltar do trabalho, medo de perder as pessoas que amo e considero. Não vejo sinal algum de purificação aí. Pelo contrário, sinto o ar cada vez mais tóxico. Não tô falando do ar que entra nos meus pulmões, tô falando do que sai mesmo. Porque sinto que eu mesma já não tenho mais nada de puro aqui dentro.

Quem andou dando as caras por aqui novamente foram os agradáveis Pensamentos Suicidas e Autodepreciativos e a queridíssima Vontade Semi-Incontrolável de Rasgar Toda a Pele e Puxar Todas as Entranhas para Fora. Achei bem adorável que eles lembraram de mim e resolveram visitar, mas tenho tanta coisa pra fazer que resolvi não abrir as portas. Fui ao psiquiatra e tive que voltar a tomar remédios. Atualmente estou tomando um para a ansiedade e um antipsicótico. Meu namorado acha que é uma boa ideia, que o antipsicótico é justamente o que eu preciso pra lidar com essa coisa de pensar demais o tempo todo. Ele disse que vou aprender a pensar no mesmo ritmo que uma pessoa normal. Não queria depender de medicamentos, queria simplesmente que a química do meu cérebro fosse equilibrada, mas acho que faz parte da vida.

Girl, Interrupted (1999)

Fora isso, tá tudo bem. Fora a minha cabeça, meus pensamentos e minhas atitudes, tá tudo bem.

Fora tudo que eu sou, tá tudo bem.

♪ Nerve Endings - Too Close to Touch

4 comentários

  1. Que barra. Não vou vir falando pensamentos positivos porque acho que não é o que precisa nesse momento, mas quero que saiba que estou ~mandando energias positivas~ pra que você consiga sair dessa vibe negativa.

    Um abraço, fique bem.

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  2. Ultimamente ninguém está sabendo lidar. Sentimentos pela a sua perda! Nunca fui assaltada mas sei bem como é sentir receio em voltar tarde de algum lugar ou simplesmente sair de casa com seus pertences. Eu espero que o Sr Pensamento Suicida e os demais possam te dar um adeus, enfim, espero que você fique melhor. Até mais! ♡
    Eutheromania

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  3. OI MARY

    Sinto muitíssimo que tanta coisa bad tenha vindo de uma vez. E pior: que essa bad tenha desencadeado alguns demônios. Não é fácil, eu bem sei. Os meus demônios as vezes nem precisam de gatilho.

    Acho incrível as pessoas que falam abertamente sobre tomar medicamento. Sabe, eu tomo. Eu não tenho vergonha nenhuma de tomar na frente dealguém ou de dizer que o faço. Se queria ter um cerébro de boas? mas é lógico. Mas eu aprendi que os remédios nos tornam super-heroínas. Parece que a química libera algum poder oculto que você não conhecia e, daqui a pouco, você vira uma máquina superresistente que só falta aprender a voar.

    Eu espero sinceramente que essa maré de azar passe. Talvez você não se purifique agora, mas acredite: A purificação virá. (demorou 4 anos pra mim, mas achou HAHAHAH O/)

    BEIJO
    beinghellz.com

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  4. Oi, Maria!

    Pra ser sincera, eu nem sei o que te dizer. Eu também não sabia o que dizer nos outros posts, mas eu realmente sinto muito por tudo que está te acontecendo. Estou mandando vibrações positivas, com muita fé essa purificação virá.

    Um beijo!

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