Páginas

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

UA: Top 10 de 2016

Como todo ano, algum grupo de blogs faz uma retrospectiva coletiva, e este ano não seria diferente. Dessa vez, resolvi participar da retrospectiva do Universo Alternativo, grupo de blogueiras e pessoas um tanto quanto fora do padrão, seja em vestimenta, em atitude, you name it.

A Jaqueline, do 4sphyxi4, propos que fizessemos um Top 10 de 2016. Eis a descrição oficial:
Aqui estou eu com a ideia de nos reunirmos durante este mês de Dezembro e elaborarmos uma postagem coletiva pensando sobre este ano de 2016. (Foi sofrido pra todo mundo, pelo que estou vendo, heuhe! Então, bora relembrar as coisas boas!).

O Top 10 é simples, basta escreverem em seus respectivos blogs, as 10 coisas mais marcantes de seu ano! Pode ser um livro, um filme, um passeio, uma experiência, uma viagem, uma cor... enfim, os critérios de escolha são livres e pessoais!

Os créditos serão dados ao grupo Universo Alternativo e ao blog 4sphyxi4. Todos os participantes serão linkadas em todos os posts! Deixem os links de vocês no feed do evento para que possamos linkar umas as outras! ♥
Não vou fazer numa ordem de pior pro melhor ou qualquer coisa assim, porque acredito que a maior parte das coisas tem um peso igual, ou pelo menos muito próximo, na minha felicidade esse ano. Pois então, bora conferir o que rolou de bom em 2016?

Consegui um estágio

Eis uma coisa que eu nunca achei que ia acontecer: encontrar um estágio numa empresa muito legal, com gente muito bacana e fazer uma parada que eu amo de paixão (escrever). Agradeço muito ao portal Consulta Remédios por ter me acolhido e me dado essa experiência maravilhosa logo no meu primeiro estágio. ♥

Meu batismo na Umbanda



“Saravá, Oxalá! Epa babá! Tenho a cabeça lavada. Fiz meu batismo na Umbanda, hei de louvar os meus guias”. O batismo na Umbanda é o momento no qual você entrega sua cabeça espiritual (ori) ao seu Orixá (santo) de cabeça, ou seja, aquele que te protege e te influencia com mais força, o responsável por você durante essa encarnação. Também é quando você entrega sua confiança no terreiro que você escolheu trabalhar e nos guias responsáveis pela casa. É um momento mágico e lindo, que promove uma conexão profunda com o divino.

Quem sabe esse tenha sido o melhor dia da minha vida, embora faça parte de uma das piores semanas do ano.

Menino Erico

Em 2016, a vida me apresentou meu atual namorado, Erico. Eu já sabia quem ele era fazia alguns anos, seguia no Instagram e soltava um suspiro toda vez que ele postava uma foto nova, mas nunca tentei me aproximar dele por... bem, motivos.

Porém, como o mundo dá voltas, acontece que ele começou a se aproximar de mim. Numa época meio louca da minha vida, porque eu tinha acabado de terminar um namoro (daqueles meio bosta que faz você não querer ter nada com ninguém nunca mais) e eu estava lidando com umas paradas meio tensas que estavam tomando todo o meu tempo, e que felizmente acabou. Enfim, eu tinha todos os motivos do mundo pra afastá-lo e não deixar ele entrar na minha vida, mas uma voz dentro de mim me dizia pra não fazer isso e, por algum motivo, eu resolvi ouvir essa voz e deixei acontecer (naturalmente ♫).

Gosto muito do relacionamento que tenho com esse moço. Tenho sentimentos bem fortes e firmes por ele e, mesmo com as dificuldades, eu tenho certeza que tô no lugar certo, com a pessoa certa, na hora certa. Até onde isso vai, ninguém pode dizer. Mas, se depender de mim, o carinho, respeito e admiração que eu tenho por ele vai durar pra sempre.

Motionless in White



Uma consequência de ter conhecido o menino Erico foi ouvir Motionless in White. Anos atrás, quando eles lançaram o clipe de Creatures, eu gostava muito de metalcore mas, por algum motivo, tinha preconceito contra essa banda. Lembro até hoje de sempre ver o thumbnail do vídeo nos relacionados o YouTube, mas nunca cliquei. Pra não dizer que nunca tinha ouvido antes, já conhecia a música Abigail, que não é uma das minhas favoritas e acho que foi justamente por só conhecer ela que eu tinha uma certa relutância em ouvir a banda.

Porém, como explicado nesse post aqui, acabei ouvindo outras paradas da banda e viciando. Hard. Não chega a ser minha banda favorita — não tenho um banda favorita —, mas certamente é uma que eu aprecio bastante.

Prudentópolis

No começo do ano, viajei com minha família para a Terra das Cachoeiras Gigantes aqui no Paraná, uma cidade chamada Prudentópolis. A cidade, em si, não era a atração principal da viagem, mas devo admitir que a colonização ucraniana chamou a atenção pela culinária e pelas igrejas ortodoxas. O motivo da viagem era, obviamente, visitar as cachoeiras. Grande parte delas ficava dentro de áreas privadas e, por isso, tivemos que pagar uma pequena quantia para entrar, mas era um valor bem tranquilo (na época, 10 reais) e não faltou no fim das contas.



Entramos em diversas trilhas para chegar no topo dos saltos (cachoeiras), e era sempre uma aventura mais gostosa que a outra. Foram dois dias fazendo trilhas pra chegar no topo de cachoeiras gigantes e observar esse mundão. Só teve uma que a gente desceu até a base (onde a água cai), que foi o Salto Barão do Rio Branco. Isso porque, pra descer, havia uma escada — com mais de 400 degraus mas, ainda assim, uma escada —, e chegando lá embaixo pudemos sentir as gotículas que saiam da cachoeira e viajavam pelo ar.

Finalmente pude entender aquele ponto: “Nuvem de poeira d'água que sai da cascata da Deusa Oxum”.

Voltei às raízes

No começo de 2015, aconteceram algumas coisas que me fizeram meio que perder o eixo. Fui me distanciando cada vez mais de uma pessoa que eu gostava de ser, numa tentativa de fugir de uma pessoa que me machucou um bocado. De certa forma, foi bom, porque me aventurei mundo afora para descobrir coisas novas e, no fim das contas, chegar à conclusão de que em momento algum eu deixei de ser sincera comigo mesma. Sempre fui o que queria ser, sempre fiz o que pude pra me agradar, só que, pra compreender isso, eu tive que deixar de fazer todas essas coisas e me aventurar um pouco. Isso me trouxe um período de autoestima muito baixa e me fez pensar até mesmo que eu nunca seria feliz novamente. Mas em 2016 eu comecei a me encontrar de novo e foi através de coisas pequenas que voltei a ser o que me fazia feliz: eu mesma. ♥

Mein Teil @ Jimmi's Pub

Talvez isso pareça meio puxa saco, mas o show da Mein Teil no Jimmi's Pub foi um tesão. Não só pelo show, mas por tudo: a viagem, o local, as pessoas. A banda tinha acabado de passar por grandes mudanças e foi um dos melhores shows que vi. Certo que sou suspeita pra falar em shows porque fui em poucos — e realmente não é a minha praia —, mas os caras realmente fizeram um trabalho bacana nesse dia. Ah, vale lembrar que era especial de Halloween, ou seja, o público tava todo fantasiado também, HAUHAUAHA.

Bernardo, o Gato

Esse ano também fui presenteada com um lindo gato laranja de olhos amarelos. Ele chegou aqui em casa miúdo, podia ficar nos meus ombros, e agora já tá gigante. Parece que foi ontem que meus pais discutiram qual seria o nome do bicho, e agora ele já está um adulto. Como crescem rápido. ;O;

O engraçado é que tenho um amigo da faculdade chamado Bernardo e, sempre que contava pra minha amiga alguma peripécia do gato, precisava falar “Bernardo, o gato”, pra não fica confuso. Afinal, seria esquisito dizer que “ontem o Bernardo tava amassando pãozinho na minha barriga” sem especificar qual dos dois era, risos.

Me tornei médium de toco

Dentro da Umbanda, os médiuns vão desenvolvendo sua mediunidade para, um dia, se tornarem médiuns de toco, ou seja, incorporar entidades e dar consultas às pessoas necessitadas. Cada um tem o seu próprio tempo para fazer isso. Tem pessoas que estão na Umbanda há anos e ainda não desenvolveram o suficiente, enquanto tem outras que começaram em menos de um ano (meu caso). Isso não tem a ver apenas com o médium e o quanto ele se esforça, mas tem vários outros fatores que impedem um médium de evoluir tão rápido, ou que fazem com que ele vá para o toco mais cedo.

Em janeiro de 2016, eu entrei para a corrente mediúnica de um terreiro e comecei a desenvolver minha mediunidade. Em setembro de 2016, eu estava no toco, dando consultas. Isso não quer dizer que eu sou melhor do que ninguém, apenas que a “minha hora” chegou mais cedo. É uma grande honra estar nessa posição, e uma enorme responsabilidade também, pois exige que o médium consiga se conectar profundamente com a entidade e deixar ela falar através de seu corpo, o que pode ser bem difícil para alguns — especialmente para os que pensam demais, tipo eu.

Enfim, achei que ia demorar alguns anos até que eu chegasse nessa posição, mas felizmente cá estamos e tentamos, cada dia mais, ajudar mais pessoas. ♥

Alkymist

Tecnicamente, o Alkymist é uma coisa que só surgirá no ano que vem, mas comecei a trabalhar nele em 2016 e isso me fez extremamente feliz nessa reta final porque foi a realização de um sonho. Sempre quis ter um domínio, um blog com Wordpress etc., pra “profissionalizar” mesmo uma coisa que eu amo muito fazer: blogar. Não estou atrás de dinheiro ou de fama, estou atrás de realização pessoal, e acredito que o Alkymist me ajudará muito nisso.

Em 2017, preparem-se para um novo blog, com novas premissas, mas com o meu jeitinho de blogar. ♥

Clique na imagem para ir ao site

Com isso, declaro que este é o último post aqui no Vercthu. Não do ano, da vida mesmo. Quem sabe um dia eu volte pra cá (domínios custam dinheiro e dinheiro custa ganhar, né nom), mas esperamos que essa seja uma possibilidade remota, HAHAH.

Desejo à todos um ótimo Ano Novo! ♥

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Minha mente doente, aceitação e esperança



Acho que a parte mais difícil de se ter uma doença psiquiátrica é admitir exatamente isso: eu tenho uma doença. Na mente. Minha mente é doente. De verdade. Não basta mudar a maneira de pensar. Tem que tomar remédio. É doença. É crônica.

Durante muito tempo rejeitei o tratamento com medicamentos, porque sempre achei que só tinha uma simples depressão que dava pra ir levando. Era só olhar o lado bom da vida, count your blessings, ter Deus no coração. Era só ficar tranquila que ia passar.

Esperei. Esperei passar e ficou mais pesado a cada dia. Ficou tão pesado que eu não consegui sair da cama algumas vezes. E eu juro que me esforcei pra pensar “vamos lá, Maria, você consegue sobreviver a esse dia”. Juro que pensei “Deus te deu mais uma oportunidade de fazer a coisa certa, vamos!”. O problema é que não adianta quando esses pensamentos são atropelados por outros que dizem que não vai dar certo, que insistem em pegar os problemas e transformá-los em monstros gigantes.

A maneira que a minha mente funciona não é nada saudável. Quando há um problema, alguma situação desagradável, ela já pega e imagina milhares de hipóteses que, apesar de não haver prova alguma que poderiam ser reais, se tornam realidade para os meus sentimentos. E aí vem a raiva, o ódio, a dor. Mesmo que todo mundo diga que não é assim, que não é verdade, mesmo que todos contrariem minha mente, é ela quem dita o jogo, no fim das contas. Basicamente a minha mente me trai, me conta mentiras doloridas e eu acredito.

Dica de leitura: Realidade ou fantasia? Por Silvia Tereza B. Pieroni Pereira, gestalt-terapeuta

E é aí que entram os remédios. Porque uma mente doente significa que a química no cérebro tá funcionando de uma maneira meio louca, meio fora de ordem, meio errada. Assim como qualquer desequilíbrio em qualquer órgão, os desequilíbrios no cérebro precisam de medicamentos. Algumas vezes só durante alguns anos, outras vezes pode ser para a vida toda.

E é difícil conviver com isso, com essa coisa de ter que tomar um remédio pra um problema mental. Quer dizer, o problema tá na mente, não no corpo físico, não no coração, não no pulmão, não em qualquer outro lugar onde as pessoas achariam completamente normal o uso de remédios. E, querendo ou não, o paciente que lida com uma doença desse tipo não consegue compreender isso, porque passou a vida inteira ouvindo que o problema mental é, bem... na mente, e pode ser resolvido simplesmente mudando a mente.

Acontece que pra mudar a mente, tem que mudar a química do cérebro. E quando isso muda, as coisas vão ficando um pouco diferentes.

Lembro de quando tomei antidepressivos e estabilizadores de humor anos atrás. O que eu lembro daquela época é, basicamente, nada. Porque eu não senti tanto, porque eu não pensei tanto, porque eu não agi desesperadamente como sempre faço. Quem sabe, para os outros, naquela época eu era uma pessoa “normal” mas, pra mim, eu era uma pessoa que eu não conheço.

E é exatamente isso que tá acontecendo de novo. Minha mente está ficando mais quieta, sinto menos raiva e tristeza e, embora isso seja muito bom, confesso que tenho medo de voltar a ser como naquela época. Eu olho pra trás e vejo uma Maria que eu não reconheço como sendo eu. Porque ela não era doente, porque ela era mais tranquila, não pensava tanto, não sentia tanta dor.

O problema é que eu me acostumei com a dor. Eu me acostumei a ser a minha doença. E agora que as coisas estão ficando bem, agora que a minha mente funciona normalmente, eu posso ver mais claramente quem eu sou, ou pelo menos quem eu quero ser.

Sou tímida com quem não conheço, mas costumo ser bem aberta com as pessoas que conheço e considero. Às vezes eu falo umas coisas engraçadas. Gosto de ficar sozinha. Espero ser tão divertida para as outras pessoas quanto sou pra mim mesma. Gosto de ajudar os outros, de escrever e de cantar. Quero fazer dança ou teatro. Quero montar uma banda.

São coisas que já sabia, que já tenho em mente há muito tempo, mas que os diversos pensamentos encobriam como se fossem nuvens cobrindo o sol. De fato, a doença é isso mesmo: nuvens que cobrem o sol (que, no caso, seria a verdadeira Maria).

Mas essa verdadeira Maria é tão estranha e nova pra mim que eu não sei nem como chegar nela. Devo dizer olá, prazer, eu sou você mas ainda não totalmente?

Eu sei lá o que eu vou fazer de agora em diante. Só queria deixar registrado aqui que eu finalmente aceitei. Aceitei que eu tenho uma doença crônica na mente e que preciso tratá-la, muito provavelmente durante todo o resto da minha vida, e que algumas coisas vão mudar no meu comportamento e eu vou ter que aprender um pouco mais sobre quem eu sou. Isso pode não ser fácil, pois terei que deixar pra trás quem eu era. E isso dá medo.

De qualquer maneira, estou ansiosa pra essa nova “fase” da minha vida.

Quem é a Maria além da doença? Veremos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

My mind tells me I can't get out of this

Não é surpresa se eu chegar aqui e disser que não estou sabendo lidar, não é mesmo?

Depois dos acontecimentos das últimas semanas, ainda tem alguns cacos de mim mesma no chão, ainda tem partes em construção, farpas e superfícies pontiagudas que é melhor manter distância.

Pra quem não sabe, fui assaltada a mão armada e, poucos dias depois, a Morte levou um amigo. Minha mãe constantemente parafraseia um médium cujo nome não me recordo dizendo que as dores sempre vem em grandes quantidades pra purificar a alma (ou algo assim) e, de certo modo, concordo com isso, mas admito não me sentir muito bem “purificada”.

O que essas dores me trouxeram, na verdade, foi um medo irracional de sair de casa, uma ansiedade de faltar o ar ao voltar do trabalho, medo de perder as pessoas que amo e considero. Não vejo sinal algum de purificação aí. Pelo contrário, sinto o ar cada vez mais tóxico. Não tô falando do ar que entra nos meus pulmões, tô falando do que sai mesmo. Porque sinto que eu mesma já não tenho mais nada de puro aqui dentro.

Quem andou dando as caras por aqui novamente foram os agradáveis Pensamentos Suicidas e Autodepreciativos e a queridíssima Vontade Semi-Incontrolável de Rasgar Toda a Pele e Puxar Todas as Entranhas para Fora. Achei bem adorável que eles lembraram de mim e resolveram visitar, mas tenho tanta coisa pra fazer que resolvi não abrir as portas. Fui ao psiquiatra e tive que voltar a tomar remédios. Atualmente estou tomando um para a ansiedade e um antipsicótico. Meu namorado acha que é uma boa ideia, que o antipsicótico é justamente o que eu preciso pra lidar com essa coisa de pensar demais o tempo todo. Ele disse que vou aprender a pensar no mesmo ritmo que uma pessoa normal. Não queria depender de medicamentos, queria simplesmente que a química do meu cérebro fosse equilibrada, mas acho que faz parte da vida.

Girl, Interrupted (1999)

Fora isso, tá tudo bem. Fora a minha cabeça, meus pensamentos e minhas atitudes, tá tudo bem.

Fora tudo que eu sou, tá tudo bem.

♪ Nerve Endings - Too Close to Touch

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Três de Espadas

A Torre, Três de Espadas e Oito de Espadas, Rider Waite

Há três Espadas cravadas no meu peito enquanto eu escrevo isso.

Faz um tempo que já venho pensando coisas que não são reais, vendo coisas que não estão lá, sentindo coisas que não são sentimentos. Faz um tempo que saí de mim pra viver dentro de uma prisão rodeada por memórias que não são minhas.

Deixei de focar no que é meu pra focar no que já foi dos outros. Parei de andar no meu próprio caminho e só olhei para as pegadas deixadas por quem já partiu.

Tranquei-me na Torre mais desolada que pude achar, num reino esquecido por Deus e amaldiçoado pelo Ódio.

E numa noite escura e tempestuosa, o Raio destrói as paredes da Torre e me tira da minha falsa paz, ao mesmo tempo em que o Diabo arranca as Espadas do meu peito e me mostra que elas são feitas de nada mais, nada menos que a minha própria imaginação.

E o caminho parece sereno, mas sei que tenho que pisar com cuidado porque os galhos podem quebrar e acordar o Monstro que dorme, e eu já não tenho mais forças pra entoar canções de ninar.

Estou presa. Não mais na Torre, não mais acorrentada e vendada com 3 Espadas no peito. Mas ainda estou presa, pois o Monstro não pode acordar. Eu não tenho mais forças pra lutar.

Dizem que a única maneira de se libertar é encarar os seus demônios. Tornar-se o próprio Diabo e aí se tornar Anjo novamente.

Eu não sei, não sei, não quero saber. Me deixa não saber. Vou fazer um novo castelo. Com as pedras no caminho, vou fazer outro castelo. Não quero enfretar o Monstro. Não quero Viver.

Construo o castelo, cravo as 3 Espadas em mim mesma novamente, acorrento-me às paredes da Torre. E assim continuo, sobrevivendo das migalhas da minha própria existência.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

I won't make it to your funeral



Amigo, me desculpe, mas eu não vou conseguir ir no teu funeral.

Eu sei que agora deve ter muita gente conversando contigo, dizendo o quanto sente saudade e como queria que você voltasse. Eu sei que agora tem muita gente te mandando luz pra você siga em frente, pra que seu espírito alcance paz. E, acredite, eu sou mais uma dessas pessoas, querendo que você encontre paz onde quer que você esteja.

Mas será que agora você pode me ouvir um pouquinho, como costumava fazer enquanto ainda habitava a carne?

Tá tudo ruim por aqui. Tá dolorido. As coisas não estão indo bem, tudo parece caótico e a minha mente parece não ter certeza do que é real. Faz algum tempo que não durmo direito porque ouço barulhos a noite inteira. Faz algum tempo que olho pra trás o tempo todo pra ter certeza de que não tem ninguém me seguindo, que observo com cautela toda vez que vou virar uma esquina pra ter certeza que não tem ninguém me esperando ali.

Faz algum tempo que eu tenho medo de pisar pra fora de casa e, quando estou fora, tenho medo de voltar.

Amigo, tá doendo porque você não tá aqui e tá doendo porque eu também não estou mais. Eu não sei onde eu fui parar, mas eu sei que é bem longe daqui, longe de tudo e de todos, a ponto de achar que você é o único capaz de entender alguma coisa do que eu digo agora.

Tem um nó na minha garganta que espera se desfazer em lágrimas toda vez que penso que você não vai ler essas palavras, mesmo que este fosse um dos blogs que estava constantemente nos teus favoritos. Tem um nó na minha garganta ao pensar que nas próximas festas você não vai estar lá, que nunca mais vamos pular na piscina bêbados às 3 da manhã e que nunca mais vamos ouvir American Football chorando os relacionamentos passados.

E eu não quero me despedir de você de maneira alguma, porque eu sei que você ainda vive dentro de cada um dos seus amigos, você ainda vive a cada vez que as palavras “nunca deu ruim” são pronunciadas. E, amigo, eu prometo que elas não vão deixar de ser pronunciadas.

Você disse que não queria ser another brick in the wall e, talvez, você tenha partido achando que foi exatamente isso. Se você estiver vendo a movimentação que os seus amigos tem feito por ti ultimamente, pode perceber que você passou longe de ser só mais um. Cara, você foi uma estrela que iluminou a vida de todos nós, mesmo que brevemente.

Eu tô com medo, amigo. Eu tô com medo o tempo todo, eu sinto o ar acabando, eu sinto o peso do mundo nas minhas costas, eu vejo minha visão perder as cores e eu vejo tudo acontecendo novamente.

Quando me disseram que vida adulta era difícil, eu não imaginei que seria assim.

Eu não imaginei que teria minha vida ameaçada antes dos 60. Eu não imaginei que veria um amigo partir antes dos 40. Eu não imaginei que ia ser tão assustador, que ia doer tanto.

Eu não imaginei nada disso e ao mesmo tempo eu sempre soube que poderia muito bem ser assim.

Então eu peço desculpas, porque eu não vou conseguir comparecer ao teu funeral. Eu espero que as pessoas guardem sempre as lembranças boas de você, e não a lembrança do seu corpo imóvel rodeado de flores e velas.

Eu espero que seus amigos sempre lembrem de você sorrindo, de você falando besteira, de você dizendo alguma das suas frases típicas. Porque isso é o que eu vou lembrar, amigo. Isso é o que eu vou levar de você pelo resto da minha vida.

Eu só espero que você não se incomode de eu continuar contando contigo pra ouvir minhas dores, mesmo que aí do outro lado. Porque de qualquer forma eu te amo e conto contigo sempre.

No fim, só quero que você saiba que você é amado, meu amigo. Mesmo que eu não possa te ver, mesmo que eu não possa dar um último adeus ao teu corpo, mesmo que a minha vida atualmente seja um poço de incertezas e eu esteja extremamente confusa, você é amado.

Aqui ou aí, você é amado. Pra sempre.

P.S: Me desculpa também pelo texto confuso, acho que não sei mais pensar.